Verdade inegável
Continuando hoje o texto sobre Descartes. Boa leitura!
Verdade inegável
Haverá escapatória? Sim. E ela marca o início da segunda etapa do percurso cartesiano e toda a sua originalidade. Muitos duvidaram em todas as épocas, mas foi Descartes o primeiro a virar pelo avesso a dúvida obrigando-a a revelar aquela que, a seu ver, é a mais segura de todas as verdades.
Atentei, ele dirá, “que enquanto eu queria pensar que tudo era falso, era necessariamente preciso que eu, que o pensava, fosse alguma coisa.” Duvidar é um dos modos de pensar (como afirmar, negar, desejar, etc.) Assim, enquanto duvidava de tudo, Descartes pensava. E se pensava, ao menos enquanto pensava, ele era alguma coisa que existia. É o passo que lhe permite afirmar com toda certeza: “eu penso, logo existo”. Cogito é o nome que se dá para a afirmação da existência desse eu que percebe a si mesmo como existente.
Esta existência é a primeira verdade. É clara e distinta, evidente a todos e inegável. Suponhamos que alguém quisesse duvidar disso: ao duvidar do cogito, a pessoa teria de admitir, pelo menos, que duvida de algo. Ora, se duvida, ela pensa, e, portanto, existe no momento em que pensa e duvida. Ou seja, duvidar do cogito (da existência de si mesmo) é já afirmar a verdade do cogito, que por isso é uma verdade indubitável.
A descoberta dessa verdade abre a segunda etapa do empreendimento cartesiano. Ela é o alicerce seguro sobre o qual Descartes poderá reconstruir o edifício do conhecimento humano. Por quê? Relembremos aquelas questões que dissemos preocupar o filósofo: o que faz de uma verdade uma verdade? Como saber que chego a uma verdade? “tendo notado que nada há no penso, logo existo que me assegure de que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, julguei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras”. Ou seja, sendo uma primeira experiência da verdade, o cógito nos ensina a reconhecer outras verdades e distingui-las das falsidades.
Uma última questão: o que é o eu que existe? Visto que duvidara de tudo, até do próprio corpo, o eu que se percebe e se afirma só pode ser uma coisa: pensamento. Só o pensar revelou-se indubitável. Assim, o eu é um eu pensante. Ele é o sujeito do ato de conhecer. Dessa forma, o cógito ergue um dos marcos da modernidade: a verdade e o conhecimento ganham um novo lugar, residem no pensamento e, mais propriamente, no sujeito pensante. Não é exagero dizer que, com o cógito, nasce a subjetividade moderna tal como a entendemos ainda hoje.
(Homero Santiago- fonte desconhecida)
Ufa! Finalmente o texto terminou. Mas foi uma leitura interessante. Confesso que li e reli este texto diversas vezes e ainda não o entendi completamente, mas é uma das coisas que me faz pensar.
Fizeram me uma pergunta, e agora eu a rebato: “O que é a Verdade?” E complementando, “existe Verdade absoluta?” O que é a Mentira, será uma negação da verdade?
Uau, filosofia, um novo campo que começo a explorar.Just it.

2 Comments:
miga!!! como assim sua vida mirou d pernas pro ar?? oq andou acontecendo? num consegui achar nada contando sobre o que aconteceu... escreve aí ou posta lá no meu blog contanduuu...
te dolllo!!!
O racionalismo estéril. Claro, o raciocínio de Descartes é brilhante, mas a conclusões deixam a desejar.
Concordo com o cogito: existe um "eu" enquanto pensamento. Mas e quando existe um indivíduo que não é capaz de pensar articuladamente ou que nem é capaz de raciocinar? Seria o caso de não considerá-las pessoas? Ou então de dizer que não existem?
Mesmo assim, a primeira verdade é inteligível. Mas o que dizer da conclusão seguinte? "julguei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos muito clara e distintamente são todas verdadeiras".
Tomemos um exemplo. Se eu disser que existe Deus, eu penso que existe Deus, a minha convicção racional causa a existência de Deus, no âmbito do pensamento, mas de forma alguma prova que realmente exista Deus. Será que o pensamento é suficiente?
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